10 Mitos sobre investimentos em Ações

A bolsa de valores reúne diversas oportunidades, mas também é foco de diversos mitos. Quando falamos em investimento em Ações, muitas pessoas ainda têm visões incorretas e que acabam se propagando no senso comum.

Mas, na hora de investir, você deve fugir dos mitos e das perdas que eles podem causar. Para tanto, é preciso conhecer bem o mercado acionário e saber qual é a verdade por trás dessas afirmações.

1. É preciso ter muito dinheiro para investir

Muita gente ainda acredita na ideia de que a bolsa de valores é destinada aos milionários e bilionários, com grandes volumes disponíveis para aportar. No entanto, essa não é a realidade do mercado acionário.

É possível, sim, investir com pouco dinheiro e começar aos poucos com a construção de patrimônio. Em vez de adquirir um lote inteiro de Ações, por exemplo, há como recorrer ao mercado fracionário. Assim, pode-se garantir um uso menor de valores, de acordo com a disponibilidade.

O fato de ser comum ver grandes investidores na bolsa está atrelado a dois pontos. O primeiro envolve a mecânica dos investimentos.

Quanto maior o volume investido, maiores as possibilidades proporcionais de ganhos. Então pessoas com grande capital podem já começar com valores maiores – o que não reduz as possibilidades de começar de maneira mais modesta.

Além disso, outro motivo para aportes maiores é que, muitas vezes, as pessoas começam no mundo dos investimentos em outros caminhos, antes de seguir para o investimento em Ações. Quem segue essa lógica pode entrar na bolsa já com mais recursos para investir.

Mas é possível iniciar seus aportes aos poucos, sem ter que juntar previamente grandes quantias. Com a estratégia adequada, há como fazer o seu patrimônio render.

2. É possível ficar rico rapidamente no mercado acionário

Quando o assunto envolve os ganhos, existe a forte ideia de que investir em Ações é quase como ganhar na loteria. Basta fazer a escolha certa para ficar rico da noite para o dia, multiplicando seu dinheiro em várias vezes.

Contudo, essa é uma expectativa que não encontra apoio na realidade. Trata-se de mais um mito. Na verdade, para aproveitar as oportunidades das Ações, é preciso ter paciência e estar disposto a pensar no longo prazo.

Afinal, o investimento requer tempo para diluir os riscos e, principalmente, para amadurecer os resultados. Considerando que mudanças nas políticas e decisões estratégicas de um negócio não têm efeito imediato, o desempenho positivo é observado mais facilmente em médio e longo prazo.

Assim, quando falamos de investimentos, as Ações geralmente são vistas para períodos maiores. O que há no curto prazo é a possibilidade de especular, mas isso envolve riscos bem mais significativos. Assim, seria possível ter resultados em menos tempo, mas com maior risco agregado.

3. A bolsa de valores é restrita a quem já entende muito sobre investimentos

Para alguns investidores, a entrada na bolsa de valores não é acessível pela ideia de que somente quem já sabe muito da área pode adquirir Ações. No entanto, isso não é verdade e, na prática, trata-se de um mercado cada vez mais acessível.

É claro que antes de alocar seu dinheiro em um investimento, qualquer que seja, é interessante conhecê-lo melhor, entender seu funcionamento e suas possibilidades. Entrar na bolsa não é diferente e, para ter resultados melhores, vale a pena se preparar.

No entanto, ao contrário do que pode parecer, o ambiente não é complicado ou destinado para quem é especialista no assunto. A plataforma para emitir ordens de compra e venda é utilizada de maneira online e fácil.

Além disso, cada vez mais existem conteúdos online e livros para compartilhar informações sobre a bolsa de valores. O importante é manter o interesse em conhecer estratégias distintas. Ao ampliar constantemente o seu conhecimento, será mais fácil identificar oportunidades.

4. A queda da bolsa é sempre um momento negativo

Quando a bolsa cai, é comum que as pessoas vejam como uma situação altamente negativa e que só causa perdas. No entanto, basta conhecer um pouco sobre o funcionamento desse mercado para compreender que, na verdade, podem surgir boas possibilidades de investimento.

Durante uma grande queda, as Ações perdem valor de mercado e, portanto, podem ficar mais baratas. Se você encontrar boas empresas por um preço menor pode ter resultados positivos com a recuperação e a valorização que virá depois.

Além disso, se você já tiver investido e os seus investimentos caírem, não significa, necessariamente, que é momento de vender. Pelo contrário, é importante analisar para evitar realizar perdas desnecessárias. Afinal, se o mercado se recuperar, os preços voltarão a subir.

Na prática, a oscilação para baixo não precisa se tornar um grande obstáculo para a realização do investimento. Isso, claro, se houver uma boa estratégia e o seu capital estiver investido em empresas resilientes, com perspectivas positivas de futuro.

5. O preço da Ação é o fator mais importante dos investimentos

Com a ideia de comprar barato e vender mais caro, existe o mito de que o preço é o elemento de maior relevância para tomar uma decisão. Contudo, a cotação de uma Ação é apenas uma peça do quebra-cabeças que o investimento representa.

Além dele, é preciso considerar uma análise estruturada e que observe elementos das empresas. Quando se investe para o longo prazo, é utilizada a análise fundamentalista. Ela serve para conferir os pilares de um negócio e o seu potencial. Assim, ajuda na decisão.

Pense, por exemplo, em uma Ação A que vem perdendo valor de mercado ao longo das semanas e chega ao preço de R$ 20,00. Outra Ação B, por outro lado, passou de R$ 17,00 para R$ 20,00 recentemente.

Se a ideia focar apenas em encontrar Ações com menor custo, pode parecer interessante investir em A. No entanto, uma análise dos fundamentos pode demonstrar que ela oferece mais riscos, indicando que há motivos reais para a queda.

Já ao fazer a análise da Ação B, pode ser que você encontre que ela está verdadeiramente descontada. Ou seja, que o mercado está precificando por menos do que ela vale, apesar de ter sofrido um aumento recente. Percebe a necessidade de uma avaliação para além do preço?

Há muitos indicadores fundamentalistas para usar e é importante que você conheça as principais medidas. Com uma análise contextualizada, será mais fácil encontrar boas possibilidades — fugindo do mito de focar apenas no preço de negociação.

6. A melhor estratégia é seguir a média do mercado

Ao realizar investimentos em Ações, é preciso ficar atento ao que acontece no mercado, suas notícias e perspectivas. Isso porque o preço dos ativos é diretamente afetado por essas condições, como conflitos, decisões da empresa, macroeconomia etc.

Contudo, é um mito achar que seguir o comportamento coletivo é a melhor forma de investir em Ações. Na prática, muitas pessoas acreditam que basta fazer o que os outros também estão fazendo para ter bons resultados.

Isso gera o chamado efeito manada. No mundo dos investimentos, ele se caracteriza quando uma pessoa toma decisões porque outras estão vendendo ou comprando um ativo. O grande problema é que seguir a média do mercado não considera as suas necessidades, preferências e expectativas.

Então pode ser que você faça investimentos que, na verdade, não têm ligação com seu portfólio. Além de tudo, a atuação com base na média pode causar prejuízos. Muitas vezes, seguir a média significa comprar em um momento de alta e vender em um período de baixa, por exemplo.

7. A venda das Ações é a única forma de obter retorno

Quando falamos em ganhos no mercado acionário, um dos mitos diz que somente é possível ganhar dinheiro ao realizar a venda dos papéis por um preço acima da compra. Essa é, sim, uma alternativa, mas não é a única.

Também há o ganho baseado na distribuição de lucros. No Brasil, todas as companhias de capital aberto são obrigadas a distribuir parte dos seus lucros entre os acionistas. Mas o percentual do lucro dividido e a frequência ficam a critério de cada negócio.

É bastante comum que os lucros sejam oferecidos como dividendos, que são livres de Imposto de Renda. Também há a distribuição de Juros sobre Capital Próprio (JCP), que são isentos de IR para a empresa, mas são pagos pelo acionista.

A divisão de lucros pode ocorrer, ainda, por meio de direitos de subscrição ou mesmo outras Ações na forma de bonificação. Essa divisão, portanto, pode ajudá-lo a obter uma renda passiva, a qual pode ser reinvestida para potencializar os resultados da sua carteira.

Além de tudo, existe mais um meio de lucrar com as Ações: por meio do aluguel dos ativos. Quem investe em longo prazo pode alugar as Ações para os traders. O especulador que aluga as Ações tem o direito de operar com elas, mas a obrigação de devolvê-las ao final da operação.

Então você mantém as Ações em seu portfólio, ao mesmo tempo em que recebe o pagamento do aluguel por elas.

8. Os custos são muito elevados e comprometem a rentabilidade

Um dos motivos para existir o mito de que não é possível investir em Ações com pouco dinheiro envolve a ideia incorreta quanto aos custos. Quem não conhece a bolsa de valores profundamente pode achar que operar no mercado acionário é muito caro.

No entanto, é possível encontrar uma corretora com taxas diferenciadas e que não causam grandes impactos no portfólio. Quanto ao Imposto de Renda, vale considerar que a tributação de 15% (ou 20% para day trade) sobre lucros só acontece quando você vende as Ações.

Além disso, há um limite de isenção. Se você realizar vendas abaixo do total de R$ 20 mil por mês ficará isento. A não ser em operações de day trade — quando a compra e venda acontecem no mesmo dia. Nesse caso, não há isenção.

Como você pode ver, embora haja a necessidade de pagar taxas e impostos, não significa que elas sejam tão elevadas a ponto de inviabilizar a conquista de resultados. Na verdade, entender isso é uma parte fundamental para eliminar o receio de explorar o mercado de Ações.

9. A diversificação de carteira não é importante na bolsa de valores

Na hora de investir, é importante ter um portfólio diversificado para reduzir os riscos e até aumentar o potencial de ganhos. Muitas vezes, isso pode ser feito ao selecionar alternativas da renda fixa (como títulos públicos e privados) e da renda variável (como as Ações).

Mas, mesmo em uma mesma classe, os investimentos podem ser diversificados. Falar que a diversificação de Ações não é relevante trata-se de um mito. Ainda que você tenha alternativas de renda fixa na carteira, é preciso distribuir bem seus recursos que estão na bolsa de valores.

Se você não diversificar, corre o risco de alocar valores em apenas uma empresa ou setor. Diante de um impacto no mercado, poderá ter perdas maiores e deixar de aproveitar oportunidades.

Portanto, ao compor sua carteira de Ações, é fundamental selecionar empresas com diferentes características. Você pode escolher negócios de ramos diferentes, níveis de capitalização distintos e até optar por negócios internacionais, por exemplo.

10. A compra das Ações é o último passo necessário para investir na bolsa

Não menos importante, há o mito de que, para participar do mercado de Ações, você só precisa adquirir os papéis e deixar que eles rendam dividendos e se valorizem ao longo do tempo. Porém, a realidade é diferente.

O mercado muda com bastante rapidez e os seus objetivos e interesses também podem variar. Então aquela empresa que era uma ótima escolha em um período pode não ser tão interessante alguns anos depois. Ou não faz mais sentido para seus objetivos.

Portanto, depois de adquirir as Ações é preciso acompanhar sua carteira e entender se os resultados estão alinhados com as expectativas. Dependendo do cenário, você poderá vender ou comprar outros papéis para garantir um equilíbrio.

Essa estratégia se chama rebalanceamento de carteira e é fundamental para que seu portfólio continue alinhado com o que você busca. Seja de acordo com mudanças no mercado ou no seu perfil e metas pessoais.

Os mitos sobre o investimento em Ações dão uma ideia incorreta do mercado acionário e podem fazer com que perca oportunidades. Assim, agora que você conhece a verdade sobre eles, terá a chance de aproveitar melhor as possibilidades disponíveis!

Fonte: Blog Genial Investimentos