8 Passos para fazer seu planejamento financeiro depois de uma demissão

Uma demissão pode causar um grande baque na renda familiar, mas com planejamento financeiro é possível minimizar os efeitos negativos.

Se você está passando por isso, o passo a passo a seguir pode te ajudar a fazer as reservas durarem para que você ganhe tempo para encontrar outro emprego:

1. Some sua reserva de emergência e suas verbas rescisórias

O ideal é que todo mundo tivesse uma reserva de emergência para momentos de crise como uma demissão, aplicada em investimentos de baixo risco e alta liquidez.

Especialistas recomendam que ela seja equivalente a, no mínimo, três meses da renda necessária para o sustento da família. Dependendo da profissão, pode ser recomendável que a reserva chegue a um ano de salários.

Mesmo que você não tenha reservas, porém, as verbas rescisórias vão te segurar por um tempo. Principalmente se você tiver sido demitido sem justa causa.

Demitidos sem justa causa têm direito a aviso prévio, férias vencidas e a vencer e seus respectivos adicionais de um terço, décimo terceiro salário proporcional relativo ao ano em que a demissão ocorreu, além do saldo do FGTS mais 40% sobre o valor do fundo.

A demissão sem justa causa também pode dar direito ao seguro-desemprego. Ele é pago em três, quatro ou cinco parcelas que variam entre um salário mínimo e 1.542,24 reais (valores de 2016).

Os valores e o número de parcelas variam conforme o tempo em que o empregado esteve trabalhando naquela empresa e o número de vezes que ele já pediu seguro-desemprego antes.

Some as verbas rescisórias às suas eventuais aplicações de baixo risco para conseguir calcular por quantos meses seria capaz de se manter sem se endividar.

2. Coloque todas as despesas no papel

Se você já não faz um acompanhamento das suas despesas, agora é momento de colocar todas elas no papel. O objetivo é mapear os gastos supérfluos e verificar onde é possível cortar ou reduzir.

3. Coloque todas as suas dívidas no papel

Faça um levantamento do saldo das suas dívidas, esteja você inadimplente ou não, incluindo parcelamentos no cartão de crédito. Isso será importante para renegociá-las, se necessário.

4. Corte e reduza gastos

Comece pelos gastos que podem ser cortados. A princípio, a situação de desemprego deve ser encarada como temporária. Portanto, não faz mal fazer cortes mais drásticos, como tirar a TV a cabo, a academia de ginástica e os gastos com lazer.

O que não for possível cortar pode ser reduzido. É o caso do consumo de energia elétrica, água, gás, alimentação, combustível e assim por diante.

5. Faça a adequação de receitas e despesas

Calcule quanto tempo você e sua família conseguem se manter apenas com as suas reservas, o seguro-desemprego e a renda do seu cônjuge ou companheiro, se for o caso. Procure encaixar as despesas nas receitas de forma a conseguir se sustentar pelo máximo de tempo possível.

6. Reúna a família e trace estratégias para economizar

Conversar com a família num momento de perda de emprego é fundamental. Filhos que já sejam capazes de entender a situação e ajudar a economizar devem ser envolvidos e convidados a contribuir com ideias para reduzir os gastos.

É importante ter uma conversa franca, readequar as expectativas da família e tentar buscar, em conjunto, saídas para a crise.

7. Considere quitar dívidas com parte do dinheiro da rescisão

Não é porque você está desempregado que vai deixar as dívidas para lá. Muito pelo contrário. Agora é a hora de dar atenção especial a elas, esteja você inadimplente ou não.

Como os juros no Brasil são muito altos, simplesmente deixar de pagar pode criar bolas de neve que resultem em dívidas impagáveis dentro de pouco tempo.

Avalie se é possível quitar parte ou a totalidade das dívidas com o dinheiro da rescisão e ainda ter sobras para se manter por tempo suficiente para uma recolocação no mercado.

Com dinheiro na mão, você pode obter bons descontos no pagamento à vista e ainda se livrar das parcelas e dos juros, o que facilita o planejamento financeiro.

Certifique-se apenas de que essa estratégia não vai te deixar numa situação tão difícil que você será obrigado a se endividar novamente no curto prazo e em linhas de crédito mais caras, como o cartão de crédito e o cheque especial.

8. Renegocie as demais dívidas

Se não for possível se livrar de todas as dívidas de maneira confortável, considere renegociar as condições.

Primeiro, você deve fazer um diagnóstico da sua situação. Defina o valor das parcelas que caberia no seu bolso. Se não houver espaço para isso, negocie uma suspensão temporária do pagamento das prestações. Alguns financiamentos oferecem essa possibilidade.

Depois, procure o seu credor para renegociar. Você pode conseguir uma redução de juros ou uma extensão de prazo, por exemplo. Mas o mais importante é que você tenha plena consciência do tamanho do compromisso que conseguirá assumir.

Lembre-se de que se você aceitar parcelas maiores do que as que poderá pagar, uma segunda renegociação torna-se bem mais difícil.

Alguns financiamentos, como os de imóveis, contam com um seguro que cobre as prestações em caso de perda de emprego, o que pode ajudar nessas horas.

Todas as parcelas de dívidas renegociadas ou que não puderem ser quitadas com desconto devem ser incluídas no planejamento financeiro como se fossem contas, para não serem esquecidas.

Este post traz tudo que você precisa saber para fazer uma boa renegociação de dívidas.

9. Invista o que sobrar das reservas em aplicações conservadoras, porém rentáveis

Suas reservas não devem ficar paradas na conta corrente nem na caderneta de poupança, sob o risco de serem corroídas pela inflação. Prefira aplicações de renda fixa conservadora que consigam, paulatinamente, superar a inflação, mantendo o poder de compra do seu dinheiro.

Isso é fundamental num momento em que seus recursos devem durar o máximo possível. Uma rentabilidade que não se limite a repor a inflação, mas que seja capaz de superá-la, contribui para aumentar a durabilidade das reservas.

O dinheiro que você vai usar em até três meses deve ficar aplicado em investimentos de liquidez diária, isto é, que possam ser resgatados a qualquer momento.

Recursos que serão usados apenas depois de três meses podem ser aplicados tanto em investimentos de liquidez diária quanto em aplicações de prazos maiores, desde que o vencimento seja casado com a época em que o dinheiro será utilizado.

São aplicações conservadoras de liquidez diária os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) pós-fixados, os fundos de renda fixa conservadora e os títulos públicos Tesouro Selic (LFT), negociados pelo Tesouro Direto.

Com liquidez apenas no vencimento, também são aplicações conservadoras as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), que podem ser adquiridas para prazos de mais de três meses.

Fonte: Blog Genial Investimentos