Como sair da poupança sem se arriscar?

Sair da poupança deixou de ser uma opção para quem deseja mais rentabilidade e tornou-se uma necessidade para quem não quer perder dinheiro. Mas seja por falta de conhecimento sobre outros investimentos ou por medo de tentar coisas novas, muitas pessoas ainda destinam suas economias à caderneta.

A poupança pode ser mais simples e prática, mas sair dela e conseguir um rendimento melhor não é difícil. Na hora de buscar outras opções, é preciso avaliar quais são os seus objetivos com o dinheiro aplicado. A sua poupança é a sua reserva de emergência e, portanto, para sair dela você precisa de liquidez diária? Você está poupando para uma meta futura e, logo, pode aplicar no longo prazo?

Ter clareza quanto ao objetivo dos recursos na poupança irá ajudar você a buscar melhores opções fora da caderneta. Neste post, vamos ajudar a encontrar produtos para sair da poupança com o mínimo de risco possível!

Por que a poupança não rende?

Vamos, antes, entender por que a poupança rende tão pouco. A caderneta de poupança é remunerada pela taxa Selic e pela Taxa Referencial (TR). Assim, em qualquer banco, a rentabilidade da poupança será sempre a mesma.

A caderneta no Brasil pode ser remunerada de duas formas: poupança antiga e poupança nova. Todos os depósitos realizados a partir de 4 de maio de 2012 remuneram pela poupança nova. Entenda abaixo como é feito este cálculo.

Poupança antiga: 0,5% ao mês + TR

Poupança nova:

  • Taxa Selic igual ou inferior a 8,5% a.a. – poupança paga 70% da Selic + Taxa Referencial (TR)
  • Taxa Selic superior a 8,5% a.a. – poupança paga 0,5% ao mês + Taxa Referencial (TR)

Atualmente, a taxa referencial está zerada, e a última reunião (março/20) do Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 3,75% a.a. Considerando que para calcular o rendimento real da poupança é necessário descontar a inflação do período, estimada em 2,72% a.a. (boletim FOCUS), veremos que o rendimento de 2,63% a.a. da caderneta tende a ser negativo.

Caso a poupança tenha rentabilidade negativa, isso é, renda menos do que a inflação, o poder de compra das suas economias será menor. Na prática, você perderá dinheiro.

Investimento sem risco

Não existe investimento sem risco, nem mesmo a poupança é isenta de riscos. Quem viveu a década de 1990 não se esquece do congelamento de recursos das cadernetas de poupança implementado pelo governo Fernando Collor. Mas, sim, existem investimentos que oferecem menos riscos do que outros.

A melhor forma de reduzir a exposição aos riscos nos investimentos é diversificar o portfólio. Não investir tudo só na poupança, só no Tesouro Direto ou só em ações. Unir aplicações com riscos e rentabilidades diferentes pode aumentar as chances de ganhos médios, diminuindo ainda a probabilidade de grandes perdas de recursos com um único tipo de investimento.

Sinta-se seguro com o Tesouro Direto

O mesmo grau de segurança oferecido pela poupança também pode ser encontrado no Tesouro Direto, plataforma de negociação online de títulos públicos do Governo Federal. Na prática, ao aplicar recursos no Tesouro Direto, você empresta dinheiro ao governo com a promessa de pagamento de juros no vencimento do contrato.

Você deve estar se perguntando se emprestar dinheiro para o governo é seguro. A resposta é, “sim”! Em uma situação de crise, é muito mais provável que bancos e instituições financeiras não honrem com os seus compromissos do que o Tesouro Federal que, em tese, seria o último a falir.

Se os títulos públicos são seguros, qual a rentabilidade oferecida?

O Tesouro Direto oferece produtos com prazos e possibilidades de remuneração diferentes. Cada título pode ser utilizado para um objetivo, conforme veremos a seguir.

No cenário atual, por exemplo, o Tesouro Selic só pode ser considerado uma opção realmente vantajosa em relação à poupança nos investimentos mais longos, já que sobre ele incide a cobrança regressiva do Imposto de Renda. Assim, quanto mais tempo os recursos permanecerem aplicados, menor será o imposto devido e, nesse caso, o Tesouro Selic pode oferecer ganhos melhores do que a poupança, mesmo tendo a taxa Selic como base de remuneração.

A boa notícia é que no Tesouro Direto existem outras opções, como o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+. No Prefixado, no momento da aplicação, o investidor sabe quanto terá de rentabilidade no vencimento do título.

Já na segunda opção, o título terá uma remuneração pós-fixada, pagando a inflação do ano (IPCA) + uma taxa de juros fixa. Para quem quer proteger seu poder de compra frente à inflação, esse título pode ser o mais indicado.

Como já citamos, os títulos do Tesouro Direto pagam a tabela regressiva do Imposto de Renda. Assim, as aplicações podem oferecer melhor rentabilidade no longo prazo, quando a cobrança de impostos é menor. Lembre-se: é também no longo prazo que os juros compostos podem ser mais bem aproveitados. Na página do Tesouro Direto é possível simular o rendimento das aplicações em diferentes títulos e ver bem como o tempo é fundamental para o rendimento desses ativos.

O que fazer com a reserva de emergência?

A aplicação ideal para a reserva de emergência é aquela que oferece rentabilidade com liquidez diária. Assim, quando for necessário, os seus ativos poderão ser convertidos em dinheiro de forma rápida, e o seu poder de compra não terá sido comprometido pela inflação.

Em tempos de Selic baixa (vamos recordar que, em menos de quatro anos, a taxa caiu de 14,25% para 3,75%), os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), que possuam liquidez diária e remunerem ao menos 100% do CDI, podem oferecer melhor rentabilidade frente à poupança.

Ainda, os fundos DI, também conhecidos como fundos de renda fixa conservadora, podem ser uma boa opção. Desde que tenham liquidez diária, ofereçam remuneração de pelo menos 100% do CDI e tenham taxa de administração baixa (nesse caso, muito abaixo de 1%).

Compare e converse com especialistas

Infelizmente, não adianta tentar encontrar produtos como os citados acima em bancos tradicionais. Por isso, o primeiro passo deve ser abrir uma conta em uma corretora. Nessas horas, comparar opções e conversar com especialistas do mercado é fundamental para sair da poupança correndo menos riscos.

 

Fonte: Blog Genial Investimentos