Dólar alto: como investir e se proteger das flutuações do câmbio

Quem acompanha o mercado financeiro certamente já percebeu que, muitas vezes, quando o Ibovespa cai, o dólar americano se valoriza. Entre janeiro de 2020 e 27 de abril do mesmo ano, por exemplo, o dólar acumulou valorização de 40,1% frente ao real. Para efeitos comparativos, o Ibovespa, no mesmo período, acumulou perdas de 34%. Veja o gráfico abaixo:

Comparativo Ibovespa x Dólar Ptax Venda

Esse movimento não é uma regra e, tampouco, o mercado de ações brasileiro e o dólar caminham sempre em direções opostas. Embora a dinâmica das variações do dólar possa ser complexa, é possível construir uma carteira de investimentos que garanta proteção (hedge) frente às flutuações do câmbio.

No exemplo acima entre o Ibovespa e cotações do dólar, os investidores que possuíam uma carteira diversificada com ativos atrelados a moedas estrangeiras, conseguiram minimizar as perdas que atingiram o mercado durante a crise do COVID-19.

Neste post, vamos apresentar alguns investimentos em dólar americano e como eles podem oferecer proteção frente às mudanças do câmbio.

Fundos cambiais

Assim como outros fundos de investimentos, os fundos cambiais oferecem a um grupo de pessoas o investimento conjunto em uma determinada classe de ativos por um aporte inicial menor. É possível encontrar fundos cambiais na Genial Investimentos com investimento mínimo a partir de R$ 1.000.

Os fundos cambiais podem ser utilizados por quem possui dívidas em dólar ou está planejando uma viagem ao exterior, por exemplo. Esses fundos podem ainda ser usados como instrumento de diversificação da carteira de investimentos, já que tendem a se valorizar em momentos de crises que geralmente afetam mais o mercado de ações e fundos imobiliários.

A composição dos fundos cambiais deve ser formada em 80% por ativos relacionados a moedas estrangeiras, como o dólar e o euro. No entanto, eles não precisam investir diretamente nessas moedas. Os fundos podem comprar títulos que tenham como referência o dólar ou outros ativos monetários, bem como podem realizar aplicações em derivativos atrelados a essas moedas.

Nos fundos cambiais, a administração do portfólio é designada a um gestor profissional, uma vantagem para quem não tem tempo e conhecimento para acompanhar o mercado de câmbio. Esse gestor é remunerado através da taxa de administração do fundo, por isso, atenção quanto às taxas praticadas no mercado, já que ela irá afetar sua rentabilidade final.

Alguns fundos podem cobrar também taxa de performance. Assim, caso o desempenho do fundo seja superior ao previamente determinado, no caso a moeda alvo, o gestor recebe um bônus.

A tributação dos fundos cambiais segue a tabela regressiva do imposto de renda. Assim, quanto mais tempo os seus recursos ficam investidos, menor será a alíquota do imposto. Em saques realizados em menos de 30 dias existe ainda a cobrança de IOF. Por isso, na hora de investir em fundos cambiais dê preferência às aplicações de longo prazo.

Minicontratos de dólar

Os minicontratos de dólar foram criados em 2001 pela antiga Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), atualmente B3, com o objetivo de ampliar a oferta de produtos financeiros ao pequeno investidor. Esses minicontratos correspondem a 20% de um contrato cheio de dólar e são negociados no mercado futuro.

Como o nome sugere, os contratos no mercado futuro tornam possível estabelecer que, em uma data futura (no vencimento do contrato), será possível vender ou comprar um ativo por um valor previamente determinado.

Imagine que, por exemplo, você tenha uma viagem programada para daqui a 1 ano e não quer ser pego de surpresa com um dólar mais alto. Ao adquirir um minicontrato de dólar, o investidor trava o preço da moeda, definindo portanto o valor máximo que irá pagar pelo dólar e protegendo-se de futuras variações. Importante mencionar que todas as operações de compra e venda de minicontratos de dólar são realizadas em reais.

Os minicontratos custam US$10 mil (dez mil dólares), mas não é preciso ter todo esse dinheiro para começar a investir. Isso porque, no mercado futuro, é possível utilizar a margem de garantia nas operações. Para adquirir um minicontrato de dólar, o investidor deve possuir em sua conta na corretora o montante da margem, uma espécie de caução que é definido pela corretora para cobrir possíveis prejuízos.

Uma das principais vantagens dos minicontratos de dólar é a alta liquidez. É possível adquirir um minicontrato de forma simples e rápida através do home broker da Genial Investimentos.

Mas atenção, os contratos, ou minicontratos tanto podem servir como uma proteção como para alavancagem de riscos. Portanto, antes de entrar neste mercado é recomendável que você estude bastante para ter segurança sobre eventuais riscos assumidos.

Os minicontratos de dólar são tributados em 15% sobre o lucro líquido de cada operação e em 20% nas operações de Day Trade.

Ações de empresas exportadoras

Outra possibilidade de proteção ao câmbio é o investimento em ações de empresas exportadoras. Como vendem seus produtos no mercado internacional, essas organizações obtém receita em dólar e, em momentos de crise, tendem a se beneficiar com a valorização da moeda estrangeira.

O investimento nesses papéis pode ser uma oportunidade de diversificação do portfólio para os investidores, mas é preciso levar em conta outros fatores na hora de comprar ações de uma companhia, tais como sua saúde financeira e as perspectivas para o segmento em que ela atua. Se a aquisição de um papel tem por objetivo a proteção cambial, é preciso avaliar também as expectativas para as cotações do dólar em médio e longo prazo.

As vantagens do investimento em ações dessas empresas é a liquidez desses ativos, já que são negociados em bolsa. Além disto, existe a isenção de imposto de renda para dividendos e quando o investidor vende ações até o montante de R$ 20 mil em um mês também não precisa pagar Imposto de Renda sobre o eventual lucro.

Por que investir em dólar?

Os fundos cambiais, minicontratos de dólar e ações de empresas exportadoras são opções para quem deseja ter investimentos atrelados ao dólar americano ou outras moedas consideradas fortes no mercado internacional.

Não é necessário ser um grande investidor para começar, já que é possível investir com poucos recursos através de fundos ou minicontratos. É importante lembrar que todo investimento possui riscos e, principalmente na renda variável, podem sofrer grandes oscilações.

No entanto, se você possui um bom nível de tolerância a riscos, esses investimentos podem oferecer proteção e diversificação ao seu portfólio, ajudar no planejamento financeiro de uma viagem ao exterior ou ser usado para quitar dívidas e despesas em moeda estrangeira.

Além de ser adequado ao seu perfil de risco, qualquer investimento deve também fazer sentido em seu planejamento e objetivos financeiros.

Fonte: Blog Genial Investimentos