Fundo de Fundos: entenda o que são e por que investir?

Uma das regras mais valiosas e repetidas do mundo dos investimentos é: diversifique seus investimentos. Mas variar as aplicações nem sempre é fácil. Quanto menor o investidor, mais difícil será diluir seus recursos entre diferentes ativos, a não ser que as aplicações sejam realizadas em um Fundo de Fundos. E é sobre isso que falaremos hoje neste post.

O que é um Fundo de Fundos?

Os Fundos de Fundos (FoFs, do inglês Fund of Funds) têm as mesmas características de outros fundos de investimento: algumas pessoas se reúnem com o objetivo de aplicar recursos em uma determinada classe de ativos. A diferença dos FoFs, nesse caso, é que os aportes são realizados em outros fundos de investimento.

Parece complicado, mas a ideia é investir com uma única cota em um conjunto maior de ativos pelos fundos. Logo, os FoFs oferecem mais diversificação aos investimentos.

No Brasil, os FoFs podem ser formados por diferentes categorias: fundos de investimento imobiliário, fundos multimercado, fundos de ações etc. Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os Fundos de Fundos devem manter, no mínimo, 95% do patrimônio investido em uma mesma classe de ativos, ou seja, em fundos de investimentos. Os outros 5% podem ser aplicados em títulos públicos federais ou títulos de renda fixa bancários, como os CDBs.

Vantagens dos FoFs

Uma das principais vantagens dos Fundos de Fundos é o grande leque de diversificação que oferecem. Com uma única cota, o investidor pode realizar aportes em dezenas de outros fundos.

Vamos tomar como exemplo os fundos de investimento imobiliário, que, em geral, aplicam recursos em títulos de dívida do setor imobiliário e em imóveis físicos, como lajes corporativas, galpões logísticos, shopping centers etc. Um FoF imobiliário, nesse caso, poderá ser formado por fundos com diferentes tipos de imóveis, localizações geográficas, áreas de atuação e, ainda, recursos investidos em títulos de dívidas. Logo, o investidor de um FoF tem a chance de, com uma só cota, investir em conjunto mais diverso de ativos imobiliários, sem a necessidade de analisar fundo por fundo.

É possível obter essa mesma diversificação sem investir em um FoF? Sim, mas você precisará de mais recursos financeiros, mais tempo e conhecimento técnico. E essa é outra grande vantagem dos FoFs: a gestão especializada.

Nos Fundos de Fundos, as decisões de investimento são delegadas a um gestor profissional, uma excelente opção para quem não tem vasto conhecimento sobre o mercado. Com os FoFs, o investidor se protege de eventuais perdas causadas pelas más decisões de um único gestor de fundo, já que em sua cota há diversos outros fundos e gestores.

Mas os FoFs também podem ser boas opções para quem também tem experiência e conhecimento sobre o mercado financeiro. Isso porque os Fundos de Fundos tornam possível ao investidor comum acessar fundos restritos a investidores profissionais e/ou qualificados. Ou seja, o pequeno investidor pode fazer aplicações em fundos renomados por meio de FoFs, uma estratégia comum entre grandes investidores, mas nesse caso sem a necessidade de aportes milionários.

Existem FoFs disponíveis no mercado com cotas negociadas em torno de R$ 100. Com os FoFs, o investidor comum tem a oportunidade de investir em fundos exclusivos, com gestão profissional, diversificação e a baixo custo inicial.

Por que diversificar é tão importante?

Todo investimento tem risco. Ao aplicar recursos em um determinado ativo, o investidor expõe o seu dinheiro a esses riscos. A diversificação dos investimentos, se bem executada, irá diluir essa exposição entre ativos com níveis diferentes de ameaças.

Ao diversificar suas operações, as perdas de uma aplicação podem ser compensadas pelos ganhos de outra, e vice-versa.

Taxas e tributação dos FoFs

As vantagens de investir em FoFs, como mostramos, são muitas. Mas esse tipo de investimento também tem desvantagens, e a principal delas é o custo.

Ao investir em FoFs, o investidor precisa pagar a taxa de administração do próprio Fundo de Fundos e arcar com as taxas dos fundos que compõem o FoF. Portanto, o investidor deve estar atento à duplicidade de taxas, já que isso pode reduzir significativamente a rentabilidade final do investimento.

A cobrança de Imposto de Renda dos FoFs ocorre via sistema come-cotas (semestral) e seguindo a tabela regressiva da Receita Federal. A tributação pode ocorrer ainda no resgate da aplicação, de acordo com o tipo de fundo. Já nos fundos de investimento imobiliário, por exemplo, os rendimentos são isentos de IR.

Uma vantagem dos FoFs em relação à tributação é que as realocações de investimentos não têm cobrança de imposto de renda. Porém, quando o investidor tem aplicações diretas em um determinado fundo, essa realocação de capital é passível de tributação.

Como investir em FoFs

Os FoFs podem ser uma excelente opção de investimento para o pequeno investidor, pois democratizam o acesso a fundos destinados a investidores profissionais, qualificados e institucionais por um custo inicial muito menor e com gestão profissional.

Na hora de escolher um FoF, o investidor deve, no entanto, estar atento às taxas de administração e performance, bem como analisar a lâmina do fundo. Essa lâmina, também conhecida como política de investimentos, traz dados sobre o administrador do fundo, o histórico de performance, as taxas e o valor inicial de aplicação.

Vale lembrar ainda que não é recomendável aplicar a sua reserva de emergência em FoFs, já que para obter maior rentabilidade com os Fundos de Fundos são necessárias aplicações de médio e longo prazo. E a reserva de emergência, por sua vez, precisa sempre estar alocada em produtos que oferecem liquidez diária sem deságios.

Embora os Fundos de Fundos possam ser uma excelente opção para diversificar sua carteira com segurança, baixo custo e diversas oportunidades do mercado, os investimentos em FoFs devem estar alinhados ao seu planejamento financeiro pessoal e ao perfil de riscos.

Fonte: Blog Genial Investimentos