Previdência privada ou tesouro direto: qual investir?

A renda fixa pode ser um produto interessante tanto para investidores iniciantes quanto para os mais experientes. Mas em qual investir: previdência privada ou tesouro direto?

Porém, com a taxa básica de juros, a Selic, no menor nível histórico — 4,5% ao ano —, decidir para onde vai o dinheiro pode ser uma tarefa difícil.

Se o objetivo for manter o investimento em um prazo mais longo, como por mais de cinco anos, existem duas opções que podem ser consideradas: previdência privada e Tesouro Direto.

Mas qual escolher? Neste artigo, vamos dar as informações necessárias para ajudar nesta decisão.

Previdência privada

O noticiário e o próprio governo federal têm anunciado que o Brasil passa por um déficit previdenciário muito alto.

Tanto que, em outubro de 2019, foi aprovada a Reforma da Previdência, com benefícios menores e regras mais duras para quem deseja se aposentar.

Esse cenário tem levado algumas pessoas a pensarem em alternativas para complementar a renda. Uma dessas opções é a previdência privada.

Como qualquer outro investimento, a pessoa faz depósitos periódicos (de acordo com sua preferência, mas é recomendável fazer mensalmente) em um tipo de fundo, para garantir o crescimento do patrimônio.

E é o investidor que vai decidir se vale a pena fazer o resgate de uma só vez ou mensalmente.

De modo geral, a previdência privada é indicada para:

  • quem trabalha com carteira assinada em uma empresa privada e ganha acima do teto do INSS ou são funcionários públicos;
  • quem queira que seus futuros herdeiros recebam uma renda mensal, após a sua morte;
  • autônomos e profissionais liberais que não contribuem para o INSS;
  • quem não tem tempo ou não está segura para investir na aposentadoria por conta própria;
  • quem deseja investir para atingir objetivos que podem ser alcançados em cinco ou dez anos: como a formação de reservas para os filhos, um intercâmbio e a compra da casa própria.

As instituições financeiras oferecem dois tipos de planos de previdência privada: PGBL e VGBL.

Plano PGBL

O Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) oferece a vantagem de proporcionar abatimento de até 12% na declaração do Imposto de Renda (IR) do próximo ano.

Por isso, é indicado para quem realiza o modelo completo da declaração do tributo.

Porém, a dedução só vale para quem já contribui para a Previdência Social ou regime próprio de previdência de servidores públicos.

Este abatimento garante também a maior rentabilidade em prazos mais longos.

Isso porque, devido ao efeito dos juros compostos, a quantia acumulada vai se somando e o patrimônio crescerá cada vez mais caso permaneça aplicado.

Vale destacar também que o pagamento do tributo só é feito no momento do resgate. Dessa forma, diferente da maioria das aplicações financeiras, não há efeito do come-cotas (quando o Imposto de Renda incide duas vezes por ano nos fundos de renda fixa e no Tesouro Direto).

No PGBL, o tributo é pago sobre o valor total a ser resgatado.

Plano VGBL

O Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) não oferece a vantagem de adiamento do pagamento de impostos. O IR incide sobre o rendimento do plano.

Devido a essa característica, esta aplicação é mais indicada a quem entrega o modelo simplificado de declaração do Imposto de Renda ou aos investidores que desejam investir recursos que ultrapassem o limite de 12% dos ganhos anuais.

Também há a vantagem tributária da ausência do efeito come-cotas.

O VGBL é considerado uma espécie de seguro de vida. Em caso de morte ou invalidez do titular do plano, os dependentes passarão a ter, imediatamente, o direito de contar com o saldo acumulado.

Tesouro Direto

O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional, que emite títulos para financiar o governo federal a realizar diversos investimentos relacionados às áreas da saúde, educação, infraestrutura entre outros.

Quem compra esse papel público, empresta dinheiro ao governo em troca de uma remuneração que depende do produto que escolheu.

Tesouro Direto vale a pena? É um investimento bastante acessível para qualquer pessoa física, já que com R$ 30 é possível fazer uma aplicação.

Também é interessante aos iniciantes do mundo dos investimentos, porque é um sistema de simples acesso.

Basta abrir uma conta em uma corretora de valores de sua confiança ou verificar a disponibilidade em seu banco. Não é necessário estudo e acompanhamento frequente.

Ao mesmo tempo, é uma aplicação considerada segura, já que o devedor é o governo federal. Dificilmente, um país vai “falir”.

Mesmo se hipoteticamente isso acontecer, o governo pode emitir mais títulos e pagar o investidor.

Outra vantagem é que, diferente da Previdência — que existe um prazo maior para seu resgate —, no Tesouro Direto, você pode investir em títulos cujos vencimentos são mais de curto prazo.

Você pode fazer o resgate no vencimento e já ter o dinheiro no mesmo dia em sua conta.

É necessário ficar atento pois a rentabilidade dos títulos só é garantida para quem carrega o papel até o vencimento.

Quando ocorre uma venda antecipada, o título é vendido a preço de mercado, que é definido de acordo com as flutuações da Selic e das perspectivas futuras para a taxa básica de juros.

Como é o rendimento desses títulos?

A rentabilidade depende de qual título o investidor escolher entre as seguintes opções:

  • Tesouro Selic: é um ativo pós-fixado cuja rentabilidade é indexada à Selic, atualmente 4,5% ao ano. Contudo, o investimento é indicado para os momentos de alta da Selic. No entanto, esta não é tendência até 2021, na opinião de especialistas;
  • Tesouro IPCA: também é um ativo pós-fixado e os ganhos estão atrelados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o índice da inflação oficial do Brasil. Dessa maneira, quanto maior a inflação, maior também será a rentabilidade do investimento. É indicado para os investidores que tenham objetivos de longo prazo, como a aposentadoria, a compra de uma casa própria, etc. O título pode perder valor e o investidor perder capital, se fizer o resgate antes do vencimento;
  • Tesouro Prefixado: a rentabilidade dessa aplicação financeira é definida por meio da determinação de um percentual previamente conhecido. Esse investimento é indicado nos casos de baixa da Selic, como é o momento atual. Porém, como no Tesouro IPCA, o investidor perde dinheiro caso faça resgate antes do vencimento.

Fonte: Blog Genial Investimentos