Taxa Selic: entenda o que é e porque você deve ficar de olho

A Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia. Determinada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), ela é usada para cobrar empréstimos entre bancos e outras instituições financeiras, além de servir como referência para todas as demais taxas do mercado.

Dos juros praticados pelas operadoras de cartões de crédito até a remuneração de muitos investimentos, a Selic é a referência. No Brasil, o Copom se reúne de forma ordinária a cada 45 dias para definir a meta da Selic. Em casos extremos é possível que o Copom seja convocado de forma extraordinária e, assim, dar as diretrizes da política econômica nacional.

Gráfico com a evolução da taxa Selic.

As taxas básicas de juros têm papel fundamental na economia de um país. Elas podem ser usadas como mecanismos de controle da inflação e estímulo para o consumo, aquecendo ou desaquecendo a economia.

Logo, acompanhar as flutuações da taxa é fundamental para entender como gestões e governos atuam na estrutura financeira do país. A seguir, vamos falar sobre a criação da Selic, explicar como ela impacta o dia a dia da população e os investimentos, além de esclarecer a importância da taxa na política monetária e no desenvolvimento econômico.

O que é a taxa Selic?

A taxa básica de juros da economia foi criada em 28/8/96, inicialmente como Taxa de Assistência do Banco Central (TBAN). Em 1º/7/96, o Copom fixava a Taxa Básica do Banco Central (TBC), mas a partir de 5/3/99, com a extinção desta, passou a divulgar a meta para a Taxa Selic para fins de política monetária. O Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) como conhecemos foi estabelecido apenas em março de 1999 pelo BC, com o objetivo de tornar a negociação entre instituições financeiras mais segura e transparente.

Na prática, ela funciona da seguinte forma: as instituições financeiras devem seguir diretrizes do Banco Central, entre elas, manter uma porcentagem de seus depósitos em uma conta do próprio BC. Dessa forma, o governo tem um controle mais efetivo sobre as reservas bancárias dessas instituições e, consequentemente, do sistema financeiro nacional.

Com milhares de transações bancárias acontecendo diariamente, essas instituições realizam empréstimos entre si para garantir o cumprimento da lei e manter a porcentagem correta de seus recursos em depósito. Esses empréstimos são diários (curto prazo) e têm como garantia (lastro) os títulos públicos. Ao emprestar dinheiro entre si, as instituições financeiras usam a Taxa Selic para definir os juros dessas transações.

Mas como todas essas operações entre bancos impactam a sua vida? A Selic é a taxa básica de juros da economia, isso quer dizer que todos os demais juros praticados pelo mercado vão derivar dela. Os juros do seu cartão de crédito, por exemplo, têm como referência a Selic. Sob ela, as instituições financeiras somam outras taxas e cobranças, mas a Selic continua sendo o ponto de partida na hora de fazer esses cálculos. Isso se aplica também a empréstimos e outras formas de crédito. Por isso, se a Selic está mais baixa, os juros que o consumidor deve pagar por utilizar esse crédito também tendem a ser menores, e vice-versa.

Como a Selic impacta a população?

A Selic define os juros mínimos que serão praticados para toda a população nas diversas modalidades de crédito. A taxa básica ainda tem uma função estratégica no controle da inflação. E inflação, como sabemos, impacta o bolso de todo mundo.

Se a Selic está mais baixa, os empréstimos também estarão mais baixos, logo, a tendência é que as pessoas aproveitem esses momentos para obter créditos a juros menores. Isso aumenta o fluxo de dinheiro na economia e, consequentemente, o consumo. Em contrapartida, esse aquecimento no consumo pode fazer a inflação subir.

Por isso, quando o Banco Central quer baixar ou conter o ritmo de crescimento da inflação ele aumenta a Selic. Com crédito mais caro, a circulação de dinheiro na economia tende a ser menor, e a inflação pode ser controlada.

Vale lembrar: a Selic é um instrumento do Banco Central para tentar manter a inflação dentro das metas estipuladas, mas outros fatores e preços também influenciam a tendência inflacionária, que é medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-IBGE).

Assim, as reuniões do Copom não estão alheias à sua vida ou à sua realidade. Cada corte ou aumento da Selic significa um estímulo ou desestímulo na economia, impactando não apenas o consumo ou o crédito de forma mais imediata, mas também o controle da inflação e, em longo prazo, a geração de empregos e o crescimento econômico do país.

A taxa Selic e os investimentos

Um longo ciclo da Selic em patamares altos faz com que muitos investidores de perfil conservador permaneçam na renda fixa, com investimentos de rendimento atrelado à Selic e ao IPCA, como o Tesouro Direto.

A título de exemplo, em 2014 a Selic fechou em 11,75% ao ano. Logo, descontando a inflação, investimentos atrelados a ela ainda podiam garantir alguma rentabilidade aos investidores. A taxa Selic atual é de 3,75% ao ano, frente a uma inflação projetada de 3,22%, segundo o Boletim Focus de 13 de março de 2020.

Assim, mesmo em um cenário de baixa inflação, a rentabilidade desses mesmos investimentos está comprometida. Por isso, é comum ouvir que, diante da queda da Selic, os investidores buscam ativos de maior risco ou rentabilidade e migram da renda fixa ou poupança para a renda variável.

Como investir com a Selic baixa?

Se você possui investimentos atrelados a variações da Selic, entenda que pode ser o momento de repensar seu portfólio. Isso porque, para 2020, a taxa da economia brasileira pode ter novos cortes.

Nos EUA, por exemplo, onde a taxa básica já é uma das menores do mundo, fatores como o impacto do coronavírus na desaceleração da economia já resultaram em novas reduções. Lembre-se: juros menores tendem a aquecer a economia.

Caso o Brasil siga o mesmo caminho, a remuneração de ativos na renda fixa atrelados à Selic ficará comprometida. A renda variável, portanto, deve ser a opção para muitos investidores em busca de rentabilidade frente aos juros mais baixos e às incertezas econômicas globais.

Investir na renda variável em um cenário em constante transformação demanda planejamento. É importante adequar o portfólio ao risco tolerado por cada investidor e buscar os ativos que estejam mais ajustados aos objetivos do planejamento financeiro. Obter consultoria profissional nessas horas é fundamental para proteger o seu patrimônio e garantir rentabilidade.

Fonte: Blog Genial Investimentos