Três oportunidades de investimentos com a Selic baixa

A rentabilidade acima dos dois dígitos, obtida com muita tranquilidade nos investimentos em títulos públicos há poucos anos, já não existe mais. O motivo? A redução da taxa Selic a patamares mínimos históricos.

O investimento em aplicações vinculadas à Selic ou à taxa CDI é indicado para a reserva de emergência. Porém, para a reserva de aposentadoria ou para os sonhos de longo prazo podemos correr mais riscos em busca de uma rentabilidade maior.

Manter uma reserva de imprevistos que corresponda de três a seis vezes seus gastos mensais em aplicações conservadoras faz bastante sentido. Porém, manter uma poupança de longo prazo em aplicações vinculadas à Selic ou à taxa CDI não é recomendável devido à baixa rentabilidade desses investimentos. Neste post, vamos apresentar três oportunidades de investimentos com a Selic baixa.

Como a Selic afeta os investimentos?

A última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março de 2020, reduziu a taxa Selic a 3,75%. Apenas para efeitos comparativos, em 1999 a mesma taxa chegou aos 45%. Logo, todos os investimentos remunerados pela Selic têm registrado um profundo comprometimento da rentabilidade desde então. Veja o gráfico abaixo:

Selic

As variações na Selic atingem principalmente os CDBs pós-fixados (que são remunerados pela taxa DI), o Tesouro Selic e os fundos de investimento em renda fixa. Isso porque, além da rentabilidade menor oferecida pela Selic, ainda incidem sobre esses investimentos a cobrança de imposto de renda e de taxas de administração (em muitos bancos, elevadíssimas).

A taxa DI ou CDI acompanha as variações da taxa Selic. Assim, quanto menor a rentabilidade da Selic, menor também a rentabilidade para investimentos com rendimento pela taxa DI. A seguir, comparamos um investimento de R$ 100 após o Plano Real corrigido pela Selic e pela taxa CDI:

Comparativo SELIC x CDI Plano Real

Ainda, para encontrar a remuneração real da Selic deve-se descontar a inflação do período. Logo, a rentabilidade real dos investimentos remunerados pela Selic não é de 3,75% a.a. (taxa atual). O cálculo deve subtrair a inflação, as taxas de administração e ainda o imposto de renda, quando devido.

Em 2020, ainda poderemos ver novos cortes na Selic e, por isso, se você possui investimentos remunerados ou atrelados à essa taxa, entenda que uma revisão no seu portfólio é crucial para obter mais rentabilidade diante do atual cenário.

Fundos Imobiliários

Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) podem ser uma excelente opção aos investimentos da renda fixa atrelados à Selic. Esses fundos são formados por um grupo de pessoas (cotistas) com o objetivo de investir no mercado imobiliário, seja pela aquisição e pelo aluguel de imóveis ou pelo investimento em títulos de financiamento para o mercado imobiliário com o pagamento de juros. Em um cenário de Selic baixa, os FIIs podem oferecer muito mais rentabilidade. Apenas em 2019, por exemplo, o índice que mede o retorno dos fundos imobiliários, o IFIX, valorizou 36%. Enquanto o CDI acumulou 5,96% no mesmo período, segundo dados da B3.

Como esses fundos são negociados em Bolsa, suas cotas podem ser compradas e vendidas diariamente. Uma excelente alternativa para quem está à procura de maior rentabilidade para a reserva de emergência, mas não pode abrir mão da liquidez.

Ainda, os rendimentos dos FIIs são isentos da cobrança de imposto de renda e, na Genial Investimentos, não existe cobrança de corretagem para os fundos imobiliários.

No longo prazo, os investimentos nos FIIs podem ser ainda mais atrativos, já que além dos rendimentos periódicos pagos aos cotistas (proventos de aluguel de imóveis ou juros de títulos), o investidor pode obter rentabilidade no momento da venda em razão da valorização da cota.

Em qualquer opção, uma reserva de emergência de curto ou longo prazo, os fundos imobiliários podem favorecer uma carteira mais diversificada e rentável.

Ações

Investir no mercado de ações pode ser a saída para muitos investidores diante da baixa remuneração da Selic. Embora haja mais volatilidade e, consequentemente, os riscos sejam maiores, destinar parte dos recursos a esse tipo de ativo pode trazer mais equilíbrio a qualquer portfólio.

Para os iniciantes na renda variável, os fundos de ações podem ser uma excelente porta de entrada. Neles, toda a estratégia de diversificação e administração dos ativos é designada a um gestor profissional. Outra vantagem é que o aporte inicial de recursos também é muito menor, uma vez que o investidor não precisa adquirir sozinho o lote mínimo de um determinado papel.

Também é bastante aconselhável para os investidores iniciantes o investimento em ETFs (exchange-traded fund), fundos de investimento que têm cotas negociadas na Bolsa de Valores. Geralmente, investem de forma passiva, ou seja, não tentam ganhar mais do que a média do mercado, mas apenas empatar com ele. Ao investir em um ETF, a pessoa aplica em um fundo dono de uma carteira de ações de diferentes companhias e, embora a exposição aos riscos inerentes ao mercado seja mais elavada com os ETFs ou fundos de ações, a rentabilidade oferecida pode ser muito maior do que na renda fixa, principalmente nas aplicações de longo prazo.

Tesouro Direto

Para quem quer aplicar no Tesouro Direto ainda existem algumas alternativas. Antes de mais nada, vamos retomar como o Tesouro Direto funciona: por meio desse programa, o governo federal negocia on-line a venda de seus títulos públicos. Na prática, ao comprar um título do Tesouro Direto, o investidor empresta recursos ao governo diante da promessa de pagamento de juros. Em caso de venda antecipada, o governo garante a recompra do título pelo mesmo valor de mercado. Essas características tornam o Tesouro Direto um dos investimentos mais seguros do mercado financeiro brasileiro.

Existem diferentes opções de produtos no Tesouro Direto, com prazos e remunerações distintas. Assim, um título atrelado à Selic (Tesouro Selic) terá uma rentabilidade menor se a taxa estiver mais baixa e vice-versa.

Já as opções Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ remuneram o investidor de uma forma diferente. No primeiro caso, o investidor sabe no momento da compra quanto será a rentabilidade anual do papel, desde que fique até o vencimento. Já na segunda opção, o título tem uma parte da remuneração prefixada (a taxa de juros) e outra pós-fixada (a inflação medida pelo IPCA).

É possível dizer, dessa forma, que os Tesouros Prefixado e IPCA+ podem oferecer maior rentabilidade que a Selic em um cenário de baixa taxa de juros. Todavia, esses investimentos possuem vencimento mais longo, sendo indicados para as aplicações de longo prazo.

Vale lembrar que sobre os investimentos no Tesouro Direto incidem o Imposto de Renda e a taxa da B3. Na Genial, a corretagem para títulos públicos é zero.

Diversifique suas apostas

Diversificar seus investimentos é o caminho para uma carteira menos exposta às flutuações da Selic e de todo o mercado financeiro. Essa diversificação, todavia, deve sempre estar alinhada à tolerância aos riscos, ao planejamento e aos objetivos financeiros de cada investidor.

Como mostramos neste artigo, o Tesouro Selic, a poupança e os investimentos remunerados pela taxa DI podem registrar um ganho real negativo dependendo da taxa de administração cobrada e da inflação. Logo, o investidor deve buscar produtos que possam oferecer maior rentabilidade frente a essas aplicações.

 

Fonte: Blog Genial Investimentos